Ler a História sem nome
Não entendo muito bem como a minha vida ruma ao encontro de caminhos tão incertos, mas, algumas coisas não precisam ser entendidas, vivê-las basta.
Observei aquela cena durante alguns minutos. A luz do sol que entrava pela janela era filtrada pela cortina vermelha e iluminava parcialmente aquela figura misteriosa, era um efeito interessante, bonito de se ver. A moça estava de bruços, fumando um cigarro de maneira tranquila, nem parecia ter se importado com a minha entrada enfadonha. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que Bianca disse. “Carlos, essa é a Paula, mas a gente chama ela de Carla”. Dei um sorriso de canto de rosto e falei. “Então essa é a sua…” “Namorada” Bibi completou sem que eu pudesse continuar a frase. Um enorme silêncio permaneceu naquele cômodo.
(…)
Comecei a reparar em Carla, como Bianca poderia ter algum sentimento por ela? Aquela moça vulgar, de cabelo loiro porcamente tingido, bota até no meio das coxas e mini short. Será que também era prostituta? Pior, será que era uma prostituta de rua?
Era a contradição dentro de mim berrando como uma criança de sete anos. Bianca era uma prostituta e mesmo assim eu a amava, como eu poderia sentir tanta repulsa por Paula só em imaginar assim ela também seria?
(…)
Depois de alguns minutos naquele silêncio fúnebre comecei a caminhar ao encontro da mesma porta por onde havia entrado. “Carlos, espera, eu sei que não deveria ser assim”. “Bibi, você não precisa me dar nenhuma explicação. Mas eu preciso digerir isso tudo, depois nos falamos”, afirmei de forma dura e continuei meu caminho.
