Crítica em construção: O contra luz de Verônica

Muito se diz a respeito do cinema brasileiro. Dizem a respeito das temáticas, dos cenários, e claro, dos atores. As temáticas são sempre as mesmas, os cenários são sempre as favelas do Rio de Janeiro ou a pobreza do sertão, e os atores são sempre os globais. Mas, como em cinema nada se cria, tudo se copia e todas as histórias se repetem, mudando apenas a forma com que são escritas. Há sempre formas de inovar dentro dessa arte que se aproxima muito do que diz Luis Humberto sobre a fotografia: “a poética do banal”.

Verônica é um exemplo. Um filme genericamente brasileiro, com caractéristicas da linguágem do cinema brasileiro contada a partir de uma ótima peculiar e uma narrativa praticamente transversal. Apesar de a abordagem do filme uma das mais utilizadas nos últimos 20 anos do cinema nacional, o problema social do Rio de Janeiro, o longa inova no que diz respeito ao uso da linguágem audiovisual. A começar pela escolha da fotografia e da direção de arte, tudo é fantásticamente colocado, um verdadeiro Noir legitimamente brasileiro. A escolha da iluminação e das cores é um dos pontos forte do filme, na verdade, o que acontece é uma linearidade da narrativa a partir delas. Maurício Farias abusa do contra-luz, das cores lavadas e saturadas para destacar os sentimentos das personagens.As imagens um pouco granuladas e a direção de arte acerca das favelas do rio deram à narrativa um clima adequado e pouco agressivo.


Os enquadramentos, metodicamente colocados, com objetos sempre colocados  no centro, dividindo as personagens, e demonstrando uma visão do diretor cheia de significados. De um lado Verônica, adulta, professora, separada, moradora do suburbio carioca. Do outro lado Leando, uma criança problemática, que vive em certo conforto em um aglomerado urbano até ter sua família morta e ser jurado de morte. A escolha de enquadramentos parece levar a câmera a ser mais uma personagem na narrativa, como um observador bem próximo. Praticamente dando olhos intimistas ao espectador.

Recheado de cortes cecos e bem ritimados e uma trilha sonora que combina muito bem a adequação ao tema e o risco, a batida rápda e muito alta ora tira ora coloca, ora tira de Verônica seu caráter dramático. dO fato é que
Verônica têm, já em sua primeira cena, um  realismo muito parecido com o utilizado por Fernando Meireles em sua linguágem. Um diálogo simples e direto, que nem aparenta pertencer a um roteiro cinematográfico, abre para o espectador o universo bucólico de Verônica. Nesta cena percebe-se, então, que as três personagens iniciais são apenas fatores detonadores do caos a ser instaurado.

Luana Borges

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s