A caixa de Pandora (Parte II)

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Pandora trazia dentro de si uma angústia incontrolável e remoia,  dia após dia, aquele antagonismo que assombrava seu ser.

– Como poderia ser tão perfeito e, concomitantemente, trazer dentro de si um nome como aquele?

Sobretudo, era Pandora o antagonismo em forma humana. Carregava em sua essência a dualidade, a dicotomia – ela sentia a  coexistência do bem e do mal dentro de sua alma, brigando por seu coração.

Era tão linda, tinha a pele alva, levemente rosada nas bochechas e livre de cravos – contrariando o súbito ímpeto dos hormônios, próprios de sua idade. Seu sorriso perfeitamente branco emoldurado por sua boca carnuda muito bem moldada pela natureza.  Seu nariz era como um adorno em seu rosto, pequeno e arrebitado. Os olhos eram cor-de-me, tinham um formato levemente puxados, os cílios eram longos e as sobrancelhas davam vida àquele olhar macio e profundo. Seus cabelos eram longos, muito escuros e brilhantes, seu pai a chamava “Vento no Cabelo”. Pandora era o charme compilado. Tinha em si um carisma irrefutável e impossível de se resistir.

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