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Essa história de ser intensa (um desabafo)

Estava pensando hoje, aqui com meus botões. Lembrando de uma vez que me falaram que eu tinha olhos tristes. No momento que eu ouvi isso pensei em uma coisa que estava me chateando, achei que meus olhos eram tristes por causa da decepção que tinha passado a pouco, pouquíssimo tempo. Hoje, pensando sobre isso, vejo que ainda faz sentido, e olha, fazem quase dois anos.

Mas, apenas agora eu pude compreender que eu não tenho olhos tristes por causa daquilo que acabara de ocorrer, mas, porque eu fui entristecendo aos poucos.  Eu vivo tudo com tanta intensidade que é como se meu corpo permanecesse em chamas por 24h. A maioria das coisas que acontecem comigo são como furacões que passam por mim e deixam tudo em grande desordem.  E isso desgasta. Vai aos poucos corroendo quem eu sou. Então, a vontade de viver me consome e, talvez, faz com que eu não esteja viva de fato.

É difícil pensar nisso, é difícil pensar que a mesma coisa que me mantém viva me mata aos poucos.
Isso porque eu não consigo não ser intensa, por eu viver em furacões e viver das minhas paixões, e viver me apaixonando por tudo que eu faço e por todos que conheço. Então, eu fico desgastada. Desgastada por amar demais, por me entregar demais a tudo. Sou arredida na escola, com minha família, meus amigos e com meus affeirs. E o mais triste nessa história é que eu desconfio que essa maneira eufórica com a qual eu encaro a minha vida, assusta a maioria das pessoas e acaba acaba por afastar algumas. E eu não posso fazer nada, a não ser deixá-las ir (por mais que seja dolorido).

É isso, foi só um desabafo…
Eu espero mesmo que tudo se resolva e que a máxima “Tudo piora antes de melhorar” seja válida para mim também.

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Sai do meu colo, você vai morrer

As últimas lembranças que tenho daquele dia são dos olhos vermelhos de Katarina esbugalhados para fora, enquanto ela caía em meu colo e eu, desesperadamente, tentava ligar o carro. Não consegui, o sangue dela está em minhas mãos.

Conheci Katarina em uma manhã de sol. Ela sorriu pra mim, num sorriso tão meigo que não consigo deixar de lembrar toda vez que fecho meus olhos. Tinha eu 16 anos e ela, 15, numa doçura melada, que me constrangia, que me fazia derreter e fazer qualquer coisa por ela.

Nina, como era chamada pelas amigas, era uma mistura de menina acanhada e mulherão. Era Uma mistura tão doida que me deixava confuso ao ponto de não ter conseguido conversar verdadeiramente com ela uma única vez.

Nos encontrávamos aos sábados depois do meu futebol. Que saudades meu Deus, dela sentada na grama, com um cigarro nas mãos, aquele sorriso entre os lábios, estendia o back pra mim e falava. ” Meu bem, sua vez…”

Um dia as apostas aumentaram, Nina estava mudada. Eu ia buscá-la no trabalho todos os dias, e aquilo me doía. A papelaria sempre cheia de adolescentes malditos. Ela naquelas roupas sensuais. Aquela situação estava insustentável. Mas, mesmo com tuto aquilo, eu ainda a amava. Não me importava o que ela fazia, eu a amava demais, o suficiente para suportar qualquer coisa por ela.

Um dia Kat, como eu a chamava, ligou séria, “Grégor, preciso de você, estou no campo”. Fui desembestado zigzagueando aquele morro infinito. A ladeira do campinho nunca foi tão grande quanto naquele dia. Eu sabia, tinha sido a última vez que eu ouvia aquela voz.

Vi Kat deitada na grama, achei que estava morta. Deitei ao lado dela, encostei meu ouvido em seu peito, parecia que seu coração ia explodir. Coloquei ela no carro, Nina me olhando com aqueles olhos esbugalhados, eu gritava com ela enquanto tentava dar a partida. Tudo ficou escuro e minha visão se apagou num negro sem fim.