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Vícios e latidos

Litérário
Ultra-romantismo

“A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!

E então que a vaga dos instintos presos
– Mãe de esterilidades e cansaços –
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos

Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto
Arranco do meu crânio as nebulosas
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!”
Augusto dos Anjos

Cinéfilo
Filmes infames e sons antigos


Placebo>
Segundas intenções

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Profano

Gozei em teus peitos
E você não disse.

Então pensei que no fundo
Era moça complacente e,
de longe, respeitável

Pensei que fostes alheia
Que nada sentira

Pensei que do prazer vivesse
E nele te fizestes forte

Ignorei-te
Por completo

Moça assim não ama

Ignorei sentimentos
Olhei-te
Apenas uma pedra vi
Uma estátua de prazer
De lembranças sórdidas

Considerando-te louca

Te joguei na sargeta
E tu dissestes:
– Dama na mesa e puta na cama,
a perfeição que não existe.