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Amor platônico

Não é nada não… eu só estou exausta. =/


Último soneto (Álvares de Azevedo)
Já da noite o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito, embalde num macio encosto,
Tento o sono reter!… Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece…
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Créditos da imagem: Angel Gothic

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Shakespeare e eu

Compartilho com Shakespeare a mesma angústia em relação ao mundo.
Não por apenas gostar de suas teorias acerca do mundo. Sobretudo, foi Shakespeare o meu primeiro contato com o mundo aqui de fora. Se é que isso realmente existe.
Enfim…
Eu nunca fui a garota mais popular da escola, muito antes pelo contrário. Perdi as contas de quantas vezes apanhei, fui ridicularizada, massacrada e várias outras coisas que eu não quero contar. Eu nunca entendi bem o porque. Eles diziam que eu era estranha, mas, talvez, eu fosse apenas mal compreendida.
Com todo esse bulling, eu não gostava de ficar em sala de aula, odiava exercícios, provas e aquele barulho horrendo que o giz fazia ao passar no quadro. Não prestava atenção em nada, não tinha coleguinhas, não brincava com ninguém. E na maioria das vezes eu fingia ser outra pessoa para ter com quem conversar, eu era, literalmente, a minha melhor amiga e meu refúgio era a biblioteca, sendo, nos longos e dolorosos anos que passei na escola, praticamente, a minha segunda casa (com um pouco de exagero, lógico). E, claro, lembro-me perfeitamente da primeira obra que pude folhear, manusear, cheirar. Era um livro de linguagem estranha e uma capa preta com duas pessoas mortas desenhadas (pelo menos é assim que eu me lembro dele),  Romeu e Julieta era seu nome. Jamais me esquecerei da suavidade de suas palavras, da dor do amor proibido que eu sentira junto com aqueles dois, que, na verdade, representavam o meu lado mais obscuro. Depois, cheguei até a implorar para meu pai que comprasse esse livro pra mim. Acho que consegui convencê-lo e ganhei de presente no meu aniversário de nove anos.
Bom, e então eu cresci lendo tudo isso e absorvendo todo o sentimento transposto da obra de Willian. E, um fato inevitável é ver, na obra dele, pedacinhos da minha vida. Escrevi um trechinho em homenagem a ele, bem singelo, mas eu espero que seja de bom tom:

“E você aprende que existem pessoas que optam por isolar-se no seu próprio egocentrismo apenas para se sentirem superiores às demais.
E aprende que não importa o quanto já foi surpreendido com a raça humana, a ingratidão brota como a erva daninha em bons pastos.
E aprende que viver não vale a pena sem o amor e que o amor não vale a pena se abrimos mão da nossa vida.
E aprende que pode perdoar alguém por alguma ofença, mas não pode apagar o que a pessoa fez.
E aprende que ‘se importar’ quer dizer que você se importa com alguém, e isso, independe da situação”.

Crédito da Imagem:  Sinaleiro Amarelo

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Eu disse que lhe deixaria um bilhete

O fim do que factualmente nunca aconteceu, realmente partiu meu coração.
Agora me resta seguir em frente e esquecer o nada que foi esse amor, que na verdade foi apenas meu.
Talvez tenha sido uma crise esquizofrênica ou algo aleatório.
Mas mesmo assim eu senti um amor avassalador como nunca havia sentido por ninguém.
E talvez algum dia você perceba que ninguém te amou como eu te amei.
Te amaria gordo, chato, velho e flácido, de qualquer forma eu te amaria…
Apesar de nunca ter conseguido falar.
E apesar de querer dizer sim, eu disse não!
Eu só queria que você soubesse, eu te amei! Na verdade eu vou te amar até algum dia que eu ainda não sei.

Só pra você nunca falar que eu nunca te disse
EU TE AMO!!!
=,/

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Agir com o coração é um princípio hipermoderno

O coração ou a razão, tens alguma escolha?
Eu sempre digo que o meu problema é que eu quero ter razão. Não, eu não quero ser feliz como a maioria dos mortais. Mas isso não significa que eu me considere melhor que alguém. Eu só não consigo ser feliz vendo claramente a configuração social na qual vivemos.
Até bem pouco tempo atrás, por exemplo, eu achava que agia com o coração ao invés da razão. Mas aí, a partir do questionamento de um ser, passei por uma profunda reflexão acerca dessa moda existencialista contemporânea e, obviamente descobri algo sobre o coração e a razão que quero compartilhar aqui. Eu descobri que o coração é, na verdade, o nome que eu dou à minha razão que, por natureza, subverte a contrariedade da moral hipermoderna.
Isso significa que todos nós pensamos racionalmente e apenas racionalmente. O que chamamos de coração é a nossa racionalidade contrária à moral temporal. Que, segundo Lipovetsky dá-se o nome de hipermodernidade, esta, configura-se pelo exagero e caracteriza-se pela era do “parecer ter”. Dessa forma, a moral do nosso tempo atinge um patamar contraditório aos princípios humanos regentes desde sempre. A dicotomia platônica, então, torna-se inexistente, gerando uma colisão entre pensamentos que desconhecem os limites de certo e errado. O que chamamos de coração, seria então um agente da moral adquirida por tradição, combatendo a moral (contrária) que conhecemos.

Crédito da imagem: Comportamentos Diferentes