Shakespeare e eu

Compartilho com Shakespeare a mesma angústia em relação ao mundo.
Não por apenas gostar de suas teorias acerca do mundo. Sobretudo, foi Shakespeare o meu primeiro contato com o mundo aqui de fora. Se é que isso realmente existe.
Enfim…
Eu nunca fui a garota mais popular da escola, muito antes pelo contrário. Perdi as contas de quantas vezes apanhei, fui ridicularizada, massacrada e várias outras coisas que eu não quero contar. Eu nunca entendi bem o porque. Eles diziam que eu era estranha, mas, talvez, eu fosse apenas mal compreendida.
Com todo esse bulling, eu não gostava de ficar em sala de aula, odiava exercícios, provas e aquele barulho horrendo que o giz fazia ao passar no quadro. Não prestava atenção em nada, não tinha coleguinhas, não brincava com ninguém. E na maioria das vezes eu fingia ser outra pessoa para ter com quem conversar, eu era, literalmente, a minha melhor amiga e meu refúgio era a biblioteca, sendo, nos longos e dolorosos anos que passei na escola, praticamente, a minha segunda casa (com um pouco de exagero, lógico). E, claro, lembro-me perfeitamente da primeira obra que pude folhear, manusear, cheirar. Era um livro de linguagem estranha e uma capa preta com duas pessoas mortas desenhadas (pelo menos é assim que eu me lembro dele),  Romeu e Julieta era seu nome. Jamais me esquecerei da suavidade de suas palavras, da dor do amor proibido que eu sentira junto com aqueles dois, que, na verdade, representavam o meu lado mais obscuro. Depois, cheguei até a implorar para meu pai que comprasse esse livro pra mim. Acho que consegui convencê-lo e ganhei de presente no meu aniversário de nove anos.
Bom, e então eu cresci lendo tudo isso e absorvendo todo o sentimento transposto da obra de Willian. E, um fato inevitável é ver, na obra dele, pedacinhos da minha vida. Escrevi um trechinho em homenagem a ele, bem singelo, mas eu espero que seja de bom tom:

“E você aprende que existem pessoas que optam por isolar-se no seu próprio egocentrismo apenas para se sentirem superiores às demais.
E aprende que não importa o quanto já foi surpreendido com a raça humana, a ingratidão brota como a erva daninha em bons pastos.
E aprende que viver não vale a pena sem o amor e que o amor não vale a pena se abrimos mão da nossa vida.
E aprende que pode perdoar alguém por alguma ofença, mas não pode apagar o que a pessoa fez.
E aprende que ‘se importar’ quer dizer que você se importa com alguém, e isso, independe da situação”.

Crédito da Imagem:  Sinaleiro Amarelo

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One thought on “Shakespeare e eu

  1. Os livros foram pra mim mais do que trabalho de escola que o professor Heitor me passava toda semana: foram minha forma de escapar do mundo em que eu vivia, onde eu era o menino bobinho qe caia em todas as brincadeiras que os mais espertos faziam. Na biblioteca lendo eu podia ficar de fora das brincadeiras, das conversas.

    Nunca ia eu imaginar que a leitura que eu usava como forma de escapar dos outros ia me fazer mergulhar em mim mesmo de uma forma tao impressionante, me fazer conhecer a mim mesmo de um jeito com oeu nunca imaginei ser possivel.

    Temos a mesma percepçao de mundo. Issoas vezes pode ser meio doloroso, mas se e assi mque a getne se sente bem, va entender… haha

    Abraço!

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