Acerca da mesa de bar

A segunda prerrogativa nesse medo tãaaaaaaaaaao comum nem é perceptível. Tanto que ficou clara pra mim apenas hoje. Na verdade ficou límpida como a água que brota do chão.

Luana sozinha num bar em dia de jogo.

Chego e uma atendente me recepciona.
– Olá, em que posso te ajudar?
– Oi, eu quero uma mesa.
– Para quantas pessoas? Me pergunta ela com os olhinhos brilhantes.
Eu dei uma olhada em volta, não tinha ninguém por perto. Achei aquela pergunta um pouco estranha mas respondi normalmente:
– Para mim, apenas.
Ela me respondeu com um certo desprezo:
– Olha, aqui embaixo estão todas as mesas reservadas, procura lá em cima.
Cara, senti uma imensa vergonha com aquela situação, mas, olha, eu sou a rainha das situações constrangedoras, então, entrei no bar, na maior cara de pau e disse para a moça do balcão.
– Oi, me conta uma coisa. Qual é o lugar supimpa para assistir ao jogo por aqui.
Ela prontamente respondeu.
– Para quantas pessoas?
Novamente eu dei aquela olhada em volta e escutei o barulho de grilos. Não tinha ninguém, nem uma alma viva a pelo menos 10 metros de mim. Mas, mesmo achando super estranho, a encarei e disse.
– Para mim, apenas
Em seguida, fui encaminhada para uma mesa próxima da cozinha. Na verdade eu penso que naquela situação estar acompanhada era uma obrigação e as pessoas desacompanhadas não deviam merecer um bom lugar em frente ao telão.
Enfim, achei aquilo o fim da picada. Quando estava decidida a ir embora veio uma moça me atender. Ufa! Encontrar outro bar naquela altura do campeonato seria uma tarefa árdua.
A moça era meio estabanada. Veio na minha direção. Parou. Olhou para todas as cadeiras vazias na minha mesa, balançou a cabeça em sinal negativo, aparentou um certo constrangimento e disse.
– Boa tarde, você está sozinha?
Eu não falei nada, apenas franzi minha sobrancelha (quem me conhece sabe que eu costumo franzir a sobrancelha quando estou levemente puta com alguma coisa). Depois de algum tempo a encarando, com a sobrancelha franzida. Resolvi acabar com o climão e acabei por pedir uma cerveja.
Quando estava no fim da primeira, vi que aquele lugar era péssimo para assistir ao jogo e disse para ela: – Moça, não tem uma mesa em um bom lugar em frente ao telão para que eu possa assistir ao jogo? E ela respondeu: ADIVINHEM… Tchananannnnnnn
– Para quantas pessoas?
Olha, eu sei que ela estava fazendo o trabalho dela, mas, eu estava começando a me irritar, era óbvio que eu não estava acompanhada. Porque uma pessoa não pode ir a um bar sozinha? Será que isso é um sacrilégio tão grande assim?

No final das contas, respirei fundo e respondi novamente:
– Para mim apenas.
Ela então, finalmente, me levou para um bom lugar no qual eu vi o Brasil jogar satisfatoriamente e ganhar de 3 X 0 do Chile, tomei um litro e meio de chope e voltei pra casa, sozinha.

Conclusão. É difícil gostar da própria companhia quando é socialmente inaceitável que se permaneça sozinho.

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One thought on “Acerca da mesa de bar

  1. Sim, numa sociedade que prega a convivencia em grupo, a solidao e quase um pecado. Desfrutar da propria companhia e sinonimo de loucura. Mas esquecem-se eles de que “junto com os outros e o melhor lugar para se estar sozinho”.

    Eu sou um sozinho. Sempre!

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