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A caixa

Dorme numa noite plácida,
a moça de fita no cabelo
e vida flácida.

Despiu-se das roupas,
poucas e depois
o rítmo veio.

A marca vermelha
trouxe um momento
abrupto.

Do engano.
Na boca;
Na cama;
Espanha!

Espalhado o turpor
No lavabo se sente dor.
…….
_________Respira.

_________________ Ofega.

________________________Fez

_________________ela

___________aquilo

________bem

__feito

______ um

_________quase

______________infarto

_________o medo

______delícia

brinquedo.

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Codnome Prazer

Ela beijou-o no rosto. Caminhou lentamente até a porta e olhou-o novamente. O moço ali, nu, desmaiado em cima da cama, era o segundo em menos de três meses. Saiu do apartamento, do corredor, do elevador, do prédio. Caminhou até o ponto de ônibus, sacou seu fone de ouvido. Colocou-o, o volume estava “no talo”. – Pink é mesmo a banda mais sexy que existe.
Chegou em casa, pegou o telefone. – Será que ele vai me ligar? Eles nunca ligam. Principalmente depois de uma noite de sexo selvagem em que ele termina nocauteado.
Sentiu uma angústia lhe consumir o corpo, o espírito, a alma. Estava cansada daquilo. Algum dia encontraria um homem que lhe satisfizesse todos os esdrúxulos desejos?
Desanimou diante de tal não-possibilidade.
Deitou-se na cama lembrando de tudo que ocorrera durante a noite e deu um sorriso safado. Gostava daquela sensação. O homem entre suas pernas, delirando de prazer. E depois, mais tarde, a pedindo para parar. Dor de cabeça, desconcentração cavalar, fim do preservativo. As desculpas se esgotaram, viraram uma mentira completa, uma lorota desesperadora. Os homens sempre fugiam depois do prazer que lhes era proporcionado. Mas isso não seria um contra-senso? Os seres estranhos do sexo masculino reclamam que as mulheres são fracas de libido, mas ela era uma máquina e mesmo assim espantava-os de tal maneira que corriam como ratos medrosos fogem de gatos famintos.
Finalmente conseguiu cochilar, aquela falta de sono a matava aos pouquinhos.
“All you need is love”, deu um pulo da cama para atender ao telefone. – Oi mãe. – Não mãe. – Tchau mãe!
Olhou para o isqueiro e lembrou que não fumava desde ontem. Foi ao banheiro, abriu a janela, acendeu um cigarro. Fumar era sua única opção perante suas insatisfações em relação ao mundo.
Pegou de novo seu telefone, olhou-o fixamente durante cinco minutos e atirou-o na privada. – Ele não iria me ligar mesmo! Eles nunca ligam.

Crédito da imagem: Misantropia no País das Maravilhas