Codnome Prazer

Ela beijou-o no rosto. Caminhou lentamente até a porta e olhou-o novamente. O moço ali, nu, desmaiado em cima da cama, era o segundo em menos de três meses. Saiu do apartamento, do corredor, do elevador, do prédio. Caminhou até o ponto de ônibus, sacou seu fone de ouvido. Colocou-o, o volume estava “no talo”. – Pink é mesmo a banda mais sexy que existe.
Chegou em casa, pegou o telefone. – Será que ele vai me ligar? Eles nunca ligam. Principalmente depois de uma noite de sexo selvagem em que ele termina nocauteado.
Sentiu uma angústia lhe consumir o corpo, o espírito, a alma. Estava cansada daquilo. Algum dia encontraria um homem que lhe satisfizesse todos os esdrúxulos desejos?
Desanimou diante de tal não-possibilidade.
Deitou-se na cama lembrando de tudo que ocorrera durante a noite e deu um sorriso safado. Gostava daquela sensação. O homem entre suas pernas, delirando de prazer. E depois, mais tarde, a pedindo para parar. Dor de cabeça, desconcentração cavalar, fim do preservativo. As desculpas se esgotaram, viraram uma mentira completa, uma lorota desesperadora. Os homens sempre fugiam depois do prazer que lhes era proporcionado. Mas isso não seria um contra-senso? Os seres estranhos do sexo masculino reclamam que as mulheres são fracas de libido, mas ela era uma máquina e mesmo assim espantava-os de tal maneira que corriam como ratos medrosos fogem de gatos famintos.
Finalmente conseguiu cochilar, aquela falta de sono a matava aos pouquinhos.
“All you need is love”, deu um pulo da cama para atender ao telefone. – Oi mãe. – Não mãe. – Tchau mãe!
Olhou para o isqueiro e lembrou que não fumava desde ontem. Foi ao banheiro, abriu a janela, acendeu um cigarro. Fumar era sua única opção perante suas insatisfações em relação ao mundo.
Pegou de novo seu telefone, olhou-o fixamente durante cinco minutos e atirou-o na privada. – Ele não iria me ligar mesmo! Eles nunca ligam.

Crédito da imagem: Misantropia no País das Maravilhas

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10 thoughts on “Codnome Prazer

    • Haha.
      Mais ou menos, eu estou na história.
      Mas não como a personagem, acho que eu sou mais a narradora.
      É uma hiperpersonificação da realidade. cada atitude dela representa algo para além do que acontece na cena.
      Enfim, não limito o que acontece à minha vida, principalmente a parte do celular.
      Mas achei um fim legal
      haha
      beijos

  1. Excelente seu conto.
    Mas saiba que, como disse o rapaz aí em cima, os melhores é que ligam.
    E os que não ligam não valem o telefone na privada. =P

    Kisses

  2. Nossa, excelente texto! Realmente nós mulheres ficamos agoniadas depois de um encontro, esperando a ligação de tal pessoa e quando percebemos que é apenas mais um “Homem Engano” ficamos arrazadas. Acho que nós somos sensíveis demais, ou simplesmente temos a esperança dele ser “O cara”.
    Bom, mudando o rumo… Queria parabenizar seu blog, ele tem um ótimo conteúdo. E obrigada pela visita no meu, também passarei aqui sempre!
    Beijos

    • Nossa, acho que você acertou em cheio, o ritmo que escolhi para o texto, as palavras, a pontuação é toda voltada para mostrar a melancolia de um dia pós encontro.
      Mas, anfam, já diria Carlos Drumond, um poema não precisa ser interpretado, ele é a própria interpretação. Então é isso, obrigada pela visita! Beijo grande.

      • Eu diria que o poema é metade de quem escreveu e metade de quem leu/interpretou. Suas referências e técnicas são mescladas às experiências e sentimentos dos leitores, e na minha opinião é aí que está o tesão do texto. Ele é um pra cada leitor. Como se já não bastasse ele nascer único, fica mais individual ainda quando o leitor sorve as palavras escritas mais com sentimento do que com letras.
        Voltando ao tema… acho que é um assunto eterno, considerando a sensibilidade feminina e o mau-caratismo masculino. E você, como sempre, acertou bem o alvo. Bulls eye!

  3. Pingback: Novidades « Mei(a)vulsa

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