Aquela

É difícil falar algo sobre Bianca. Impossível decifrar, explicar ou desvendar aquele ser tão misterioso. Seria inútil tentar. Simplesmente inútil.

O olhar dela era algo misterioso. Não revelava nada mais que ela pudesse fazer. E, aquela boca carnuda, não me dizia nada além do que ela pudesse vivenciar. Era linda e amável. Bom, não linda e amável da forma convencional. Tinha essas qualidades para quem considerasse que uma prostituta assim pudesse ser.

Como sua profissão condecorava, a moça tinha um corpo voluptuoso, invejável a qualquer dama da sociedade. E tinha um sorriso (…) Ahhh, aquele sorriso dispensa qualquer comentário, na verdade seria injusto propor quaisquer elogio. O sorriso de Bianca era terrivelmente lindo, tão lindo que chegava a perturbar meu espírito e fazer tremer até meu último fio de cabelo.

Desculpe, ainda não proferi qualquer palavra sobre mim. Falarei agora então: Meu nome é Carlos Henrique e eu sou um homem comum, que tem problemas comuns e uma vida igualmente comum e chata, na verdade o termo mais apropriado para minha existência seria: banal como uma tarde de quarta feira. Sou um homem tímido e educado, daqueles que as mulheres raramente olham e quando olham querem-o apenas como capacho. Mas não posso dizer que desgosto, se não fosse assim eu jamais teria conhecido Bianca.

Minha história com a senhora estranha começou no primeiro ano da faculdade. Naquela época não existia um homem que comigo fosse amigo, nem nenhuma mulher que não quisesse fazer de mim o seu escravo. Mas no meio de tanta gente hostil tinha uma garota incrível, incrível demais para ser de verdade. Eu não podia imaginar que dentre pessoas tão hostis pudesse viver uma garota tão fascinante. Ela era inaceitavelmente pobre para aquela universidade. Sussurrava-se nos corredores que ela utilizava de métodos escusos para se sustentar. Isso porque além da faculdade de Direito mais cara da cidade a moça andava sempre impecavelmente alinhada. Frequentava os melhores salões, academias e esteticistas. Um disparate para uma garota que morava no edifício JK.

A verdade é que éramos dois estranhos, e, se não fossemos talvez nossos caminhos nunca tivessem se cruzado.  Foi uma baita trombada no corredor da faculdade. Cada um caiu para um lado e depois que nos levantamos tornou-se impossível nos separar.  Foi como se, no nosso encontrão, tivéssemos trocado energias de forma tão intensa que uma parte dela ficou em mim e uma parte de mim ficou nela.

Depois da trombada no corredor  começamos a fazer tudo juntos. Iamos à academia, ao shopping, ao cinema, ao teatro, ao clube. Eu sabia o que ela fazia para viver e, aos poucos, fui adentrando no mundo bucólico de Bianca.

Leia os desdobramentos dessa história aqui e aqui

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