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Amar você, odiar você

Sempre senti-me confuso ao ouvir a expressão “filho da puta”. Na minha concepção, o xingamento é muito mais ofensivo para as biscas que vendem o corpo que para o homem que realmente o merece.  Imagino que a vida de uma prostituta seja triste o suficiente. Ora, se uma puta parir uma criança, que seja ao menos uma boa criança para trazer acalento, sossego e paz a sua vida infeliz e amargurada. Não é não? Rotular é muito fácil quando não se vive o que a outra pessoa vive e não  vê o que a outra pessoa vê.

Talvez esse pensamento me seja conveniente pois eu a amo, apesar disso não fazer nenhum sentido. Como eu poderia amar uma prostituta? Pior ainda, como eu poderia amar uma prostituta lésbica? Ou ainda pior, como eu poderia amar uma prostituta lésbica apaixonada por outra mulher? Como eu poderia? Como?
Aquele questionamento me fritava a cabeça, me inquietava a mente de tal forma que eu já não conseguia executar nenhuma tarefa com destreza. Sentia em meu peito tanta possessão que até meus pensamentos estavam prejudicados.

Bianca estava fazendo da minha vida um murmúrio, uma súplica, mesmo sem nada querer ela me fazia ouvir as trombetas do inferno, sentia-me péssimo, sentia-me como um personagem dantenesco.

Mais dessa história aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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Sou

Sou uma pessoa impossível de ser definida por algum padrão ou lógica. Sou Chico, Vinicius, Tom; mas também sou Jim, Jane e John. Sou fantasia fantasiada de realidade. Sou lacinhos no cabelo de pura sensualidade. Sou poesia, dela vivo e nela me faço forte, mas também sou pessimismo, desconfiança e sarcasmo. Sou achegada, mas distante. Sou profundidade superficial. Sou fogo, água e gelo, tudo ao mesmo tempo, junto e misturado. Sou doçura e amargura. Uma árvore de raízes fortes e galhos maleáveis. Sou companhia e solidão. Sou chuva e sertão, açúcar e sal, gesso e mármore. Sou vício tóxico em coisas saudáveis. Sou manhã, tarde, noite e madrugada. Sou quatro estações do ano, quatro fases da lua, sou quatro semanas do mês em um único dia.  Sou sol, lua, cometa e estrela em plena explosão de nêutrons. Sou a contradição em forma de gente que ama e odeia tudo ao seu redor, que esmaga o tempo e que faz do próprio corpo um furacão. Sou alguém que faz dessa vida um brinquedo e da seriedade uma distração.

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Notinha de fim de semana

Bom dia final de semana, frio na barriga e fome de viver. Algumas pessoas procuram um amor. Eu, na contra mão da vida, procuro o amor. Busco-o  incessantemente em tudo que faço, um tudo que vejo, em todas as atitudes que tenho, em todas as pessoas que conheço. Porque sem amor não tem nenhuma graça e, sem ele, a vida torna-se incompleta.

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Notícias importantes

Ei, gente.

Primeiramente gostaria de agradecer à audiência do Blog que está fantástica.
=D

Segundamente gostaria de avisar que criei uma “catigoria” com o nome “Bianca”, não é o nome do conto mas foi uma forma que eu encontrei para sintetizar todas as partes em um tema central.  (Para quem não sabe, ultimamente tenho escrito um conto em várias partes, a intenção é que seja uma narrativa não-linear, então, a ordem da leitura é o de menos, o que importa é conhecer a história). Os links estão aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Terceiramente é importante que eu diga que sim, a história continua. Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

Quartamente, como eu sou fissurada por ler e escrever, deixarei uma historinha que criei sem nenhuma pretensão ou responsabilidade ^^;


Historinha sem nenhuma pretensão

Eu: Preciso te contar uma coisa.
Ele: Pode lançar a bola que eu faço um gol. =D

Eu: Eu nunca vou esquecer a última vez que nós ficamos.
Ele: Por quê? Da primeira vez você esqueceu?

Eu: Nunca vou esquecer de nenhuma, é que da última vez eu fiz uma foto mental.
Foi lindo, nós dois em cima do capô do carro, o pôr-do-sol refletindo no seu cabelo. Nos beijando como dois adolescentes apaixonados, como se não existisse mais ninguém, nem houvesse mais amanhã
Ele: Mas houve amanhã, e no amanhã eu fui embora por um ano.

Eu: Minha vida é assim mesmo, cheia de desencontros.
=/
(…)
Mas não posso reclamar.
Ele: Pois é, temos que agradecer.

Eu: Isso, quem sabe assim algum dia o destino não pára de me sacanear?

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Um dia de fúria

Ler a História sem nome

e a História sem nome (Parte II) para acompanhar.

A vida é irreparável. É um trem desgovernado que passa por nós arrasando tudo. E depois que o trem passa, nada mais é o que era antes de ser o que foi.

A vida é ruim para lá da metade da nossa memória, também, para que lembrar de de coisas boas se nem cicatrizes elas deixam para nos lembrarmos delas?

Carla foi apenas uma coisa ruim na minha vida, uma cicatriz da qual eu lembrarei para sempre.

Um dia após aquela cena no apartamento de Bianca, resolvi atender uma ligação dela, e quando o fiz, vi meu sangue escorrer dos olhos até o queixo e cair no chão, gotícula por gotícula.

  • Alô, Carlos.
  • Bianca, acho melhor ficarmos sem nos falar por alguns dias.

Nem eu mesmo acreditava que tinha desligado o telefone na cara de Bianca, muito menos entendia o porque sentia tanta fúria dentro de mim.

Em casa, peguei uma garrafa de whisky, ainda lacrada, abri e comecei a beber, no gargalo mesmo, a música era Requiem, o sangue ainda me escorria dos olhos. Tomei alguns comprimidos e apaguei.

Quando acordei, estava na porta do apartamento de Bianca com uma faca na mão. Não deu para pensar direito, a raiva me consumia de uma forma que enfiei o pé na porta, arrancando o trico e o “pega ladrão” de uma vez só e adrentei ao recinto. Carla acordou assustada e foi a primeira de quem eu arranquei as vísceras, me deliciei a cada facada. O cenário era composto por aquela cortina vermelha e Bianca  sentada na cama, em estado de choque, me olhando com um olhar de pânico. Aguardava sua vez como um bezerro aguarda a morte.

Arranquei a faca de dentro do corpo de Carla e soltei-a no chão. Me aproximei de Bianca e bastou apenas uma, na jugular, para que ela caísse jorrando sangue vivo e eu voltasse a mim depois do surto.

Nessa hora esqueci quem eu era, não tinha nome, nem identidade. Me joguei no chão, primeiro de joelhos, depois por completo, comecei a rolar e me debater, chorando compulsivamente, contraía meus dedos das mãos e dos pés e, num sopro esguelado, acordei em pânico, suando,  em cima da minha cama. Fora tudo um sonho?

A vida é irreparável. É um trem desgovernado que passa por nós arrasando tudo. E depois que o trem passa, nada mais é o que era antes de ser o que foi.

A vida é ruim para lá da metade da nossa memória, também, pra que lembrar de de coisas boas se nem as cicatrizes elas deixam para nos lembrarmos delas?

 

Carla foi apenas uma coisa ruim na minha vida, uma cicatriz da qual eu lembrarei pra sempre.

 

Um dia após aquela cena no apartamento de Bianca, resolvi atender uma ligação dela, e quando o fiz, vi meu sangue escorrer dos olhos até o queixo e cair no chão, gotícula por gotícula.

 

  • Alô, Carlos.

  • Bianca, acho melhor ficarmos sem nos falar por alguns dias.

    Nem eu mesmo acreditava que tinha desligado o telefone na casa de Bianca, muito menos entendia o porque sentia tanta fúria dentro de mim.

    Em casa, peguei uma garrafa de whisky, ainda lacrada, abri e comecei a beber, no gargalo mesmo, a música era Requiem, o sangue ainda me escorria dos olhos. Tomei alguns comprimidos e apaguei.

     

Quando acordei, estava na porta do apartamento de Bianca com uma faca na mão, não deu para pensar direito, a raiva me consumia de uma forma que enfiei o pé na porta, arrancando o trico e o “pega ladrão” de uma vez só e adrentei ao recinto, Carla acordou assustada e foi a primeira de quem eu tirei as vísceras, me deliciei com a cada facada. Como cenário, tinha aquela cortina vermelha e Bianca sentada na cama, em estado de choque, me olhando com um olhar de pânico. Aguardava sua vez como um bezerro aguarda a morte.

 

Arranquei a faca de dentro do corpo de Carla e soltei-a no chão. Me aproximei de Bianca e bastou apenas uma, na jugular, para que ela caísse jorrando sangue vivo e eu voltasse a mim depois do surto.

 

Nessa hora esqueci quem eu era, não tinha nome, nem identidade. Me joguei no chão, primeiro de joelhos, depois por completo, comecei a rolar e me debater, chorando compulsivamente, contraía meus dedos das mãos e dos pés e, num sopro esguelado, acordei em pânico, suando , em cima da minha cama. Fora tudo um sonho?

 

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A história sem nome (Parte II)

Ler a História sem nome

Não entendo muito bem como a minha vida ruma ao encontro de caminhos tão incertos, mas, algumas coisas não precisam ser entendidas, vivê-las basta.

Observei aquela cena durante alguns minutos. A luz do sol que entrava pela janela era filtrada pela cortina vermelha e iluminava parcialmente aquela figura misteriosa, era um efeito interessante, bonito de se ver. A moça  estava de bruços, fumando um cigarro de maneira tranquila, nem parecia ter se importado com a minha entrada enfadonha. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que Bianca disse. “Carlos, essa é a Paula, mas a gente chama ela de Carla”. Dei um sorriso de canto de rosto e falei. “Então essa é a sua…” “Namorada” Bibi completou sem que eu pudesse continuar a frase. Um enorme silêncio permaneceu naquele cômodo.

(…)

Comecei a reparar em Carla, como Bianca poderia ter algum sentimento por ela? Aquela moça vulgar, de cabelo loiro porcamente tingido, bota até no meio das coxas e mini short. Será que também era prostituta? Pior, será que era uma prostituta de rua?

Era a contradição dentro de mim berrando como uma criança de sete anos. Bianca era uma prostituta e mesmo assim eu a amava, como eu poderia sentir tanta repulsa por Paula só em imaginar assim ela também seria?

(…)

Depois de alguns minutos naquele silêncio fúnebre comecei a caminhar  ao encontro da mesma porta por onde havia entrado. “Carlos, espera, eu sei que não deveria ser assim”. “Bibi, você não precisa me dar nenhuma explicação. Mas eu preciso digerir isso tudo, depois nos falamos”, afirmei de forma dura e continuei meu caminho.