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O conto de meia página

Jamais irei entender o que se passa dentro de mim. Era um estranho? Ainda seria um estranho? E no desespero de não saber, fez-se a dor de querer demais aquela que não tinha nome, ou tinha nomes demais que fugiam à minha compreensão.

Eu a chamava de Bianca.
Tinha jeito de menina e resquícios de mulher.

Fora ela embora?
Jamais irei saber.

Lembro-me apenas do dia do ônibus. Do dia no qual meu carro precisava de conserto, que até eu mesmo precisava ser consertado. Assim, quem sabe eu não amava-la tanto.

Quem sabe assim o sentimento não se fizesse ausente dentro de mim.

Estava ela feliz?
Jamais saberei.
E se isso soubesse , talvez em meu coração se veria o mínimo de paz.

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