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Acerca da perda, da saudade e da vida.

No fim o que sobra é a saudade. E a saudade é o desejo da presença e a ciência de que o encontro, em seu estado bruto, nunca mais acontecerá. O problema então é o saber demais e não o sentir como argumento factual. Nesse aspecto, conhecer torna-

vida

se uma inverdade do ser, pois o nega e faz nele doer uma dor que não deseja. Sendo o desejo, então, a materialização da angústia e da maldição de quem o tem. Muito pelo o incontrole vazio e incerto após o apagar da última chama.

Tem-se também a saudade do que não foi e a incerteza: e se eu tivesse feito isso ao invés daquilo?  E se eu tivesse estado mais presente? E se toda vez que eu pude fazer e não fiz? No fim o que resta são as lembranças do que não foi. Apenas.

E então, esbarramos novamente na vida. Vadia vida. Viva vida. Tola vida, que existe e se faz pra quem se faz forte. Pra quem se faz sagaz. Pra quem se atira, e se atira de cabeça. A vida se vale pra quem acredita e se joga nesse grande abismo que é viver. Mas, acima de tudo, a vida se dá a quem se deu. Vini, saudoso vini, a vida se dá a quem quis nela se fazer humano, errante e aprendiz.

Salve Detinha da Bahia! Nunca esquecerei da única pessoa que me chamava: menininha.

Saravá!

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Haifish

Esse poema faz parte da coleção “Abandono”. Resolvi postá-lo hoje, pois, estou pensando bastante no quanto faço tudo errado em relação a relacionamentos.
Essa história é bem legal.
Quando eu tinha 15 anos conheci um garoto, eu o gostava mas não conseguia demonstrar isso (sempre fui extremamente estabanada).
Depois de 5 anos nos reencontramos e escrevi esse poema para ele. Acho que é de janeiro/2006.

Ícaro e o Tubarão Branco

Ícaro livre
Liberto
Do Labirinto

De seu pai
Se separa

Ícaro alado
Com suas asas
Sobrevoa
As águas gregorianas

Nem tão baixo
Como aquele
Aconselhara

Busca algo
Além do sol do horizonte

Por um instante
Esquece
Seus anseios

Não é como Narciso
Não ama a si mesmo
Outrora necessita
Que alguém isto o faça

Rodeia os mares
Rodeia a terra

Enfim observa
No fundo do oceano
Um certo alguém
Aquele que tanto almeja

Um tubarão branco

Todos os dias
Volta às mesmas redondezas
Para seu amado visar

O ser tão desejado
Percebe os olhares
Sobe à superfície
Afim de saber
Quem o fita

Olhos nos olhos
Presos
Não conseguiam soltar
Seus semblantes

Mas da boca
Não saia nenhuma palavra
Os dois que se amavam
Não conseguiam
Nada se dizer
Falar dos sentimentos

Logo se afastaram

Mas o coração de Ícaro
Não conseguiu a outro amar

Separados

Muito tempo

O reencontro

Mas o Tubarão Branco
Apesar de Ícaro não ter esquecido
Procurou outro alguém
Pra preencher seus vazios

Ícaro magoado
Resolveu cumprir sua fortuna
À fonte de energia chegar
Ao sol desejou partir

Tomou impulso
Com sua força cabal
Toda sua concentração usou

Voou rumo ao sol
Rumo ao seu destino estrábico

Suas asas pelo calor derreteram
No oceano caiu

Desejou subitamente respirar
À superfície queria subir

O Tubarão Branco o viu
E o queria ajudar

Em vão

Afogado

Padeceu Ícaro
Nos braços de seu amado

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Devaneios de um banco

Naquele banco
Onde nos conhecemos

E nossas mãos
Se conheceram

E nossos corpos
Se conheceram

E nossos olhos
Se olharam

E nossos gemidos
Nos calaram

E nossos corações
Se escutaram

Você negou
Aquele banco

Você negou
O que era lindo

Você negou
Meus sentimentos

Você negou
A minha vida

Naquele banco
Onde nada existia

Onde o tempo
Não existia

Onde o entorno
Não existia

E nem a realidade
Existia

Naquele banco
Estúpido

Onde um dia
Ousei sentar-me

Onde um dia
Falei

Onde um dia
Beijei

Onde um dia
Calei

E hoje
Acolhe meu pranto

E hoje
Vê meu espanto

E hoje
Vê minha angústia

E hoje
Vê as lembranças

Aquele banco
Que agora vazio

Ri da sua
Infância tardia

Ri da sua
Tolice tamanha

E chora
Aquele amor perdido

E cava-se
Aquele buraco louco

Que
Tamanho prazer sentido

Pra você
Não existia

Aquele banco
Esburacado

Chora
A dor da partida

E eu
Rio da sua mediocridade

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A fofoca

Era
Ela

Quem sorria
Quem sofria
Quem amava

Aquela cadela bêbada
De paixão se embriagava

Rolava sua cara no pó
Sobretudo estava só

Sozinha

Abandonada na sarjeta
Que se chamavam de rua

Se jogava pelos cantos
Daquelas paredes nuas

E via nelas desencanto
Na vida de suas putas

A abandonada
Foi quem abandonou

Endoidecida deixara os filhos
Anjinhos barrocos de Viena

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Novidades

Olá leitores!
A partir de hoje iniciarei uma releitura interna.
Quem me conhece (mas realmente conhece) sabe que entre os anos de 2003 e 2006 escrevi um livro. Ainda não editado nem publicado.
Eu tinha perdido o arquivo, mas, milagrosamente achei ele na minha caixa de email.
Iniciarei, então, uma série de Posts, com a coleção de poemas que compõe aquilo que não sei se posso chamar de obra. Chama-se Abandono e foi um eu poético que eu amei compor e descobrir a cada vez que eu pegava um papel e uma caneta para escrever e viajar em cima da personagem. É uma personagem tão intensa que, hoje é uma parte de mim, tanto, que várias outras surgiram a partir desta como Pandora e Carla. É uma “obra” densa e rica em sentimentos. Espero que vocês gostem.

Beijos dessa Mei(a)vulsa que vos escreve e boa leitura!

Para estrear, o poema que dá nome à “obra”: Abandono.