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Coisas ininteligíveis, desassimiláveis e descabíveis.

É verdade que o amor é coisa descomida, destemida e desarticulada que confunde a cabeça de qualquer cristão que o invente. Mas o amor é isso e mais: é o arder despercebido e desassossegado que nos pega distraídos na esquina do não e nos reinventa.

E ai de quem não se entregar!

afrodite

Afrodite engole

 o coração de quem o faz!

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Espera!

A espera é um sentimento natural do ser humano. Talvez até mais natural  que a  morte. Afinal,  esperamos por ela também. Alguns apressadinhos não se aguentam  e acabam pegando ela no meio do caminho, e o que é pior, sem nem se perguntar o que teria durante a caminhada. No começo de tudo esperamos para nascer, depois para aprender a viver com dignidade, depois para ler, escrever, calcular,  dobrar guardanapos e conviver de maneira agradável (somos perfeitos, então é assim que deve ser, não?). Depois esperamos nossos pais nos aceitarem como somos, depois esperamos pelo primeiro amor, e, quando percebemos que não era o que esperávamos, esperamos que a dor de cotovelo passe. E então esperamos ter idade para poder enlouquecer, para não sofrer mais bulling no colégio, para poder ter liberdade, para entrar na faculdade.

Depois esperamos nos formar, para ter aquele emprego,  nos casar, ter filhos….e então começa tudo novamente. Toda aquela espera… E eu, esperando uma ideia genial para acabar esse texto, me vejo pulando etapas e perdendo toda a graça da caminhada. Melhor deixar ele assim mesmo, incompleto, como as pessoas também são! Vive-se esperando e perde-se a vida. Não perderei esse texto.

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E depois que os sonhos acabam?

Querido blog! Faz um tempão que não venho, que não escrevo, que não penso. Que não penso? Péra! Eu penso sim! Eu penso muito, o tempo todo. Sempre fui assim e sempre serei. Pelo menos é o meu desejo.  Ai de mim se algum dia não ver, se não pensar, se não sentir.

Acho que o problema é que agora sou adulta. Uma  pessoa adulta, responsável e chata. Tá bom, não tão chata. Na verdade a palavra não seria chata, pois sempre fujo do tédio. Apesar de que, quando se é um adulto, é necessário muito malabarismo para escapar dele.

No momento estou correndo o tempo todo, procuro o bom humor e  até mesmo um pouco (ou muito) da comédia para não cair no “chatidão”. Até inventei um novo bordão: O que seria uma Luana se não fosse a palhaçada? Acho que no momento não seria nada além de uma pessoa pacata e monótona que não faz nada de divertido ou interessante. Às vezes penso muito naquela frase: O mundo é uma comédia para os que pensam.  Se algum dia existiu algo bom em amadurecer, sem dúvida é não ter mais aquela melancolia sórdida que sempre me acompanhou.

Continuo escrevendo, TG! Só não tenho mais tempo para digitalizar meus escritos. E isso é uma coisa boa. Ando muito criativa (muito mesmo), e utilizo a minha criatividade pras outros fins. É divertido. Bom, ando me divertindo do jeito que dá. Da forma “adulta” de ser.

Depois te atualizo mais.

Um beijo!

Ps: Respondendo à pergunta, depois que os sonhos acabam não nos resta nada! Sonhar é o que sobra de bom na vida depois que  a gente cresce.

Luana.

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Notinha de fim de semana

Bom dia final de semana, frio na barriga e fome de viver. Algumas pessoas procuram um amor. Eu, na contra mão da vida, procuro o amor. Busco-o  incessantemente em tudo que faço, um tudo que vejo, em todas as atitudes que tenho, em todas as pessoas que conheço. Porque sem amor não tem nenhuma graça e, sem ele, a vida torna-se incompleta.

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Aquela

É difícil falar algo sobre Bianca. Impossível decifrar, explicar ou desvendar aquele ser tão misterioso. Seria inútil tentar. Simplesmente inútil.

O olhar dela era algo misterioso. Não revelava nada mais que ela pudesse fazer. E, aquela boca carnuda, não me dizia nada além do que ela pudesse vivenciar. Era linda e amável. Bom, não linda e amável da forma convencional. Tinha essas qualidades para quem considerasse que uma prostituta assim pudesse ser.

Como sua profissão condecorava, a moça tinha um corpo voluptuoso, invejável a qualquer dama da sociedade. E tinha um sorriso (…) Ahhh, aquele sorriso dispensa qualquer comentário, na verdade seria injusto propor quaisquer elogio. O sorriso de Bianca era terrivelmente lindo, tão lindo que chegava a perturbar meu espírito e fazer tremer até meu último fio de cabelo.

Desculpe, ainda não proferi qualquer palavra sobre mim. Falarei agora então: Meu nome é Carlos Henrique e eu sou um homem comum, que tem problemas comuns e uma vida igualmente comum e chata, na verdade o termo mais apropriado para minha existência seria: banal como uma tarde de quarta feira. Sou um homem tímido e educado, daqueles que as mulheres raramente olham e quando olham querem-o apenas como capacho. Mas não posso dizer que desgosto, se não fosse assim eu jamais teria conhecido Bianca.

Minha história com a senhora estranha começou no primeiro ano da faculdade. Naquela época não existia um homem que comigo fosse amigo, nem nenhuma mulher que não quisesse fazer de mim o seu escravo. Mas no meio de tanta gente hostil tinha uma garota incrível, incrível demais para ser de verdade. Eu não podia imaginar que dentre pessoas tão hostis pudesse viver uma garota tão fascinante. Ela era inaceitavelmente pobre para aquela universidade. Sussurrava-se nos corredores que ela utilizava de métodos escusos para se sustentar. Isso porque além da faculdade de Direito mais cara da cidade a moça andava sempre impecavelmente alinhada. Frequentava os melhores salões, academias e esteticistas. Um disparate para uma garota que morava no edifício JK.

A verdade é que éramos dois estranhos, e, se não fossemos talvez nossos caminhos nunca tivessem se cruzado.  Foi uma baita trombada no corredor da faculdade. Cada um caiu para um lado e depois que nos levantamos tornou-se impossível nos separar.  Foi como se, no nosso encontrão, tivéssemos trocado energias de forma tão intensa que uma parte dela ficou em mim e uma parte de mim ficou nela.

Depois da trombada no corredor  começamos a fazer tudo juntos. Iamos à academia, ao shopping, ao cinema, ao teatro, ao clube. Eu sabia o que ela fazia para viver e, aos poucos, fui adentrando no mundo bucólico de Bianca.

Leia os desdobramentos dessa história aqui e aqui

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A vida secreta de Joyce P. Thomas (final)

A solidão foi uma forma que encontrei de ser poeta. As pessoas são assim, más e antagônicas por natureza. Você sabe como é.
Não dá simplesmente para conviver de forma amigável. Eu tinha que ir embora.

Tenho necessidade de permanecer na inércia e a tecnologia favoreceu essa minha tendência em não gostar dos seres humanos, então compro o que preciso pela Internet e odeio minha família. Você sabe, as pessoas não gostam de mim e eu não gosto delas. As vezes vou ao médico, as vezes pago uma menina para me dar assistência em casa.

Então, essas paredes que você está vendo. Esse lugar que eu compartilho com você agora, não é apenas um refúgio, é a paisagem que eu tenho visto (praticamente) nos últimos cinco anos. E não foi uma escolha. É uma condição humana. Nascer em algum lugar, crescer vagando pelo mundo, sem saber de onde veio nem para onde vai. E você sabe, quando não se sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve, mas não importa mesmo, no final das contas se morre sozinho.

(…)

Tudo o que eu preciso está aqui. Eu preciso de livros para alimentar, de plantas para regar e vida para viver, ou não viver, depende do seu ponto de vista. Eu não preciso dessa pseudoliberdade que as pessoas geralmente buscam. Se a liberdade realmente existisse eu a buscaria de todo o meu coração. Mas sabe? tem gente que diz que quer ser livre e compra um apartamento em um condomínio fechado. Ora, o condomínio fechado não é a prisão da contemporaneidade? Eu sou livre porque faço o que eu quero mas não sou livre pois tenho minhas decisões condicionadas à sociedade.

Você pode me considerar amarga, mas a amargura é inerente a quem conhece a realidade. Afinal, a ignorância é uma bênção, e ignorante é o único tipo de gente que eu nunca fui e nunca serei. Então, o mundo é assim, injusto por natureza. E digo mundo, pois dizer “humanidade” seria injusto com as invenções que já são extensões do nosso próprio corpo. Jorge, você se lembra da fórmula da velocidade? Não era distância sobre tempo? Pois é, isso significa que a distância é proporcional à velocidade. Já entendeu o que eu disse ou precisarei desenhar?

(…)

Apenas fico na dúvida se algum ser humano, qualquer um que seja, sabe mesmo para onde está indo. E se o destino é incerto, morrer sozinho se torna uma condição. E se vou mesmo padecer ao isolamento mental porque tenho que querer companhia? Na verdade eu prefiro passar fome a dobrar meu cotovelo por alguém, entende? Nada é o que parece e as pessoas são volúveis demais.Trocam de ideia a cada minuto, exageram na falta de delicadeza e não sabem abstrair. Porque eu iria querer alguém ao meu lado ou um grupinho a minha volta?

Acho que já falei tudo que você pediu, esse foi o acordo, agora me ajude com a corda.

(…)

vamos

Leia aqui e aqui as partes 1 e 2 deste conto