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Clarice

Quem me conhece (mas realmente conhece), sabe o quanto eu sou apaixonada por Clarice Lispector. Essa paixão é advinda da consideração que apenas a poesia dela é capaz de me representar. E a partir da ideia dela de tentar transponir o coração para a escrita, comecei a fazer textos os quais, hoje, realmente me orgulho. Obrigada, Clarice, por me ensinar a escrever com o coração.

Hoje, não raro, estou com uma dor de cotovelo infinda, mas, ao contrário de sempre, não consigo escrever algo que vem de dentro. Então resolvi transpor algo que vem de fora, que vem de Clarice – a poesia em forma de gente.

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada fazer”.

Ps: esperando autorização do Pedro Hemb para colocar uma ilustração. =D