0

Espera!

A espera é um sentimento natural do ser humano. Talvez até mais natural  que a  morte. Afinal,  esperamos por ela também. Alguns apressadinhos não se aguentam  e acabam pegando ela no meio do caminho, e o que é pior, sem nem se perguntar o que teria durante a caminhada. No começo de tudo esperamos para nascer, depois para aprender a viver com dignidade, depois para ler, escrever, calcular,  dobrar guardanapos e conviver de maneira agradável (somos perfeitos, então é assim que deve ser, não?). Depois esperamos nossos pais nos aceitarem como somos, depois esperamos pelo primeiro amor, e, quando percebemos que não era o que esperávamos, esperamos que a dor de cotovelo passe. E então esperamos ter idade para poder enlouquecer, para não sofrer mais bulling no colégio, para poder ter liberdade, para entrar na faculdade.

Depois esperamos nos formar, para ter aquele emprego,  nos casar, ter filhos….e então começa tudo novamente. Toda aquela espera… E eu, esperando uma ideia genial para acabar esse texto, me vejo pulando etapas e perdendo toda a graça da caminhada. Melhor deixar ele assim mesmo, incompleto, como as pessoas também são! Vive-se esperando e perde-se a vida. Não perderei esse texto.

Anúncios
0

E depois que os sonhos acabam?

Querido blog! Faz um tempão que não venho, que não escrevo, que não penso. Que não penso? Péra! Eu penso sim! Eu penso muito, o tempo todo. Sempre fui assim e sempre serei. Pelo menos é o meu desejo.  Ai de mim se algum dia não ver, se não pensar, se não sentir.

Acho que o problema é que agora sou adulta. Uma  pessoa adulta, responsável e chata. Tá bom, não tão chata. Na verdade a palavra não seria chata, pois sempre fujo do tédio. Apesar de que, quando se é um adulto, é necessário muito malabarismo para escapar dele.

No momento estou correndo o tempo todo, procuro o bom humor e  até mesmo um pouco (ou muito) da comédia para não cair no “chatidão”. Até inventei um novo bordão: O que seria uma Luana se não fosse a palhaçada? Acho que no momento não seria nada além de uma pessoa pacata e monótona que não faz nada de divertido ou interessante. Às vezes penso muito naquela frase: O mundo é uma comédia para os que pensam.  Se algum dia existiu algo bom em amadurecer, sem dúvida é não ter mais aquela melancolia sórdida que sempre me acompanhou.

Continuo escrevendo, TG! Só não tenho mais tempo para digitalizar meus escritos. E isso é uma coisa boa. Ando muito criativa (muito mesmo), e utilizo a minha criatividade pras outros fins. É divertido. Bom, ando me divertindo do jeito que dá. Da forma “adulta” de ser.

Depois te atualizo mais.

Um beijo!

Ps: Respondendo à pergunta, depois que os sonhos acabam não nos resta nada! Sonhar é o que sobra de bom na vida depois que  a gente cresce.

Luana.

4

Nós e o mundo de Poliana

Quando eu era adolescente li um livro chamado “O mundo de Poliana”, creio que a maioria das pessoas que conheço também leram. Nunca vi tanta vida perfeita em toda minha existência, pra falar a verdade nunca achei que viveria para ver isso. Mas o ruim não é as pessoas terem a vida perfeita, cada um com seu “sentimento do mundo” pra lá. O problema todo é a ditadura da perfeição. É proibido se irritar,  chorar, sofrer, brigar, xingar. As pessoas estão quietas demais, conformadas demais, pressionadas a serem felizes e perfeitas. Mas eu não vejo felicidade e muito menos perfeição sem liberdade. Onde as pessoas enfiaram meu livre arbítrio de estar desconfortável, mal humorada ou  indignada?

Como diria meu amigo, Paulo Cerqueira: “Quero sair do movimento: Eu me irrito. Que tal mais sociabilidade? Menos bebida? Menos comida? Menos insônia? Alegre sorridente e saudável. Cruzes!”  Cruzes mesmo.

Não tenho nada contra quem é feliz e acha tudo lindo, eu até invejo essas pessoas (só que não). O problema é que ultimamente tenho sido coagida a ser feliz, saltitante e fingir que a vida é perfeita, isso tudo pra não brigar com meio mundo. Imagina!  Acho que as pessoas estão extinguindo a beleza da vida que é viver bem mesmo com as  imperfeições.

 

2

Eu no espelho


Hoje vi um garoto no metrô. Em um vagão qualquer do metrô. Chorando  em um vagão qualquer do metrô. Ele parecia tão vazio.
Devia ter uns 15, 16 (…) Lembrei-me das minhas também crises de choro em veículos de transportes públicos.

Motivos eu não sei se realmente tinha, não sei, não me lembro, mas na verdade, tanto   faz. Tudo daquela época parece-me tão obscuro. Parece-me hoje que eu não existia no mundo, eu apenas coexistia como uma cópia de mim mesma. De qualquer forma, minhas lembranças desses momentos são um tanto quanto embaçadas.

Lembro-me apenas de uma angústia infinita. Em partes porque eu sempre me senti avulsa no mundo. (Só fui ter um namorado aos 19 , mesmo assim ele morava a 800 km de distância, e amigos, daqueles que se leva para toda a vida – aos 21). A outra metade seria porque o mundo me ignorava por eu ser avulsa e uma coisa que aprendi é que o mundo rejeita tudo o que é diferente.

Na verdade eu sempre estranhei as pessoas, isso por causa de uma mania que tenho de abstrair toda e qualquer situação na qual me encontro.

Ser humano é bicho estranho, muito estranho. Talvez o ser mais bizarro do mundo animal. Talvez o mais esquisito de todos os seres existentes na galaxia, ou quem sabe, no universo inteiro.

Ser humano é foda! No mal sentido da palavra. Tem consciência mas não usa pra nada. Passa a vida inteira indo e vindo, passa, passeia, viaja, convive, suporta, mas não se dá ao trabalho de conhecer a si mesmo.

É tanta coisa a fazer, tanto pra conhecer, tanto pra produzir, pra progredir, pra caminhar. São tantos compromissos que, as vezes, falta a própria pessoa que está ali (só que não).

Quando tinha oito anos eu acreditava que essa ideia de “ser humano” era um mito, uma enganação, uma apropriação, uma maneira mentirosa de nos posicionar  grandes perante o mundo. Eu pensava que não éramos nada além de robôs com consciência, nada melhor do que o oco, duro e frio, metal. Até hoje penso se estava certa ou errada. (Risos).

Passei boa parte da vida assim, correndo atrás de mim mesma. Tentando me encontrar, me entender, me decifrar. Tentando descobrir meu lugar nesse mundo. E acredito que depois de todo esse tempo de busca eu consegui, em partes, o que queria.

Hoje eu não choro mais em veículos de transporte público. Hoje,  eu sei quem eu sou. 

Nota
0
Amores! Nós não somos iguais perante a “Deus”, desculpa mas em 1850 aconteceu um evento chamado “lei de terras” no Brasil que determinou a distribuição de rendas que existe até hoje, são os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Como os ricos na época eram os brancos e os pobres eram os negros (quase ex escravos), após a lei áurea de 1888, os brancos ocuparam cada vez mais a cidade, e os negros, como a aquisição de terras era difícil eles viraram posseiros formando aglomerados urbanos, as favelas. Que são lugares onde o estado não chega. Então a educação (principalmente), a saúde e demais coisas básicas que as pessoas necessitam para sobreviver só existem se o sujeito ou entrar pro tráfico (menos a educação), ou se esforçar muito.


O fato é que mesmo se uma pessoa que mora na favela se esforce bastante em um colégio público, ele nunca vai chegar no nível de um sujeito que cresceu em um condomínio fechado, estudando em boas escolas. Primeiro porquê a cultura da favela é diferente dos centros urbanos, então é difícil um sujeito ser incentivado a estudar e não ter que começar a trabalhar aos 10 anos de idade. E é por isso que existe o sistema de cotas. É para tentar remediar essa agressiva diferença social entre brancos e negros que existe desde sempre no país. O sistema de cotas é perfeito? Não! Mas beneficiou inúmeras pessoas que não teriam as mínimas chances de entrar na universidade.
Mas também há branquelos nas favelas? Sim! Mas o estado trabalha pras maiorias, generalizando casos. Ainda assim é melhor do que nada.Então se você nasceu na porra de um condomínio fechado e esqueceu as aulas de história que frequentou, cala a boca e vai estudar antes de sair por aí falando que somos todos iguais. Não somos. E amigo, os brancos não tem sangue vermelho, tem sangue azul (risos).
0

Roubado ou não roubado, eis a questão.

Teoria da conspiração é foda. O Cruzeiro ganhou porque foi melhor em campo, ora.
Poderia ser entregue se fosse um golzinho aos 45 m do segundo tempo, o Caliu é torcedor demais para entregar um placar desses, ainda mais perdendo uma boquinha na sulamericana (veja aqui do que estou falando).
Mas para as frangas é muito mais fácil falar que são um bando de vendidos do que admitir que o Cruzeiro jogou melhor… Atleticano não tem dignidade.
E no futebol e no sexo tudo acontece, já diria o amigo Luiz Fernando Veríssimo.
Cruzeiro não cai porque é time grande e time grande não cai. Sei que é uma verdade difícil de admitir para os patéticos, mas essa é a verdade.
Entretanto nenhum cruzeirense tem o que comemorar, comemorar não-rebaixamento é para times pequenos.
Aconteceu o que acontece nos últimos 10 anos, o Atlético abriu as peninhas, FIM!

0

Ateísmo como ante-fé… Oi?

Não sabia que existia uma corrente do ateísmo que defende a ante-fé até conhecer esse site. Não consigo entender esse pensamento, porque o ateísmo é em essência a incapacidade de acreditar em fenômenos não explicados pela ciência. Dessa forma o ateísmo não é uma religião e sim o fundamentalismo em sua forma mais genuína, como então pode ser “pregado”?

Ninguém nasce ateu ou se converte ao ateísmo, não é uma crença, depende apenas do seu repertório, das suas vivências e não-vivências. Para além disso ateísmo não tem correlação com a  fé, o ateísmo é a razão engarrafada. Não necessariamente é uma escolha melhor ou pior que o teísmo. É apenas uma escolha, um caminho, uma direção que se segue.

Se ateístas se sentem na obrigação de convencer pessoas a não-acreditar quer dizer que é uma religião, dessa forma a única explicação plausível é que os ateus possuem uma fé na não-fé e apenas pessoas muito crentes podem acreditar em algo que contradiz tudo aquilo que não acredita.  Isso porque a crença na não crença é uma crença maior que a própria crença.