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O que o oportunistmo, a literatura e a história têm em comum

forasarneyJosé Sarney de Araújo Costa nasceu em 1930, na cidade de Pinheiro (MA). (Mil novecentos e trinta¿), pois é, como dizem: “vaso ruim não quebra”. E se esse velho ditado for mesmo verdade iremos engolir a conversa mole de Sarney ainda por algum tempo. Isso porque a memória e o discernimento político da maioria dos votantes deste país são tão insignificantes que, em 2006, mesmo ano em que Sarney foi eleito senador pelo estado do Maranhão, Eduardo Malufe, seguido de Frank Aguiar e Clodovil Hernandes (in momorian) foram, respectivamente, os três deputados federais mais votados do Brasil.

Atualmente, o presidente do senado possui duas ocupações, além de oportunista, é também escritor. Sim, E S C R I T O R. Como a maioria dos políticos deste país, o atual presidente do senado é muitíssimo bem letrado, sendo formado em dois cursos superiores, Direito e Letras. Está explicada então sua excelente retórica, a arte de fazer com que uma mentira vire verdade apenas com o poder da linguagem e da oratória.

Não preciso lembrar que Sarney tem importância ímpar na literatura, tendo fundado o pós-modernismo no Maranhão. Nem de seu valor histórico, tendo entrado para a história como político em exercício mais antigo do Brasil, 50 anos, isso apenas de políticagem. É praticamente um fóssil que anda e um caso a ser estudado pela paleontologia.

Em suma, José Sarney é muito mais do que um político corrupto ou um grande oportunista, como é estigmatizado. Sarney é um representante legítimo da classe intelectual brasileira e, praticamente, uma sinopse dela.

Luana Borges