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Obrigado por fumar


Esse filme não ganhou nenhum prêmio importante.
Não tem um casal romântico, nem tem um final feliz.
Essa história não seria digna de um roteiro “hollywoodian” e eu não tenho ideia do que os produtores desse filme tiveram que fazer para convencer o estúdio a gravá-lo.
Mas, apesar disso tudo é um longa muito legal e com um tema pertinente, apesar de ser um tabu.
A história monta o cenário no qual vivemos hoje, onde o cigarro é abominado e esse é o pano de fundo. Na verdade Obrigado por fumar vai muito além de um filme ante-tabagista. A trama discute assuntos importantes como a fragilidade moral e a ética no mundo altamente consumista no qual vivemos hoje, e a importância da argumentação, muito além da retórica. É isso, fica a dica.
=D

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Crítica em construção: O contra luz de Verônica

Muito se diz a respeito do cinema brasileiro. Dizem a respeito das temáticas, dos cenários, e claro, dos atores. As temáticas são sempre as mesmas, os cenários são sempre as favelas do Rio de Janeiro ou a pobreza do sertão, e os atores são sempre os globais. Mas, como em cinema nada se cria, tudo se copia e todas as histórias se repetem, mudando apenas a forma com que são escritas. Há sempre formas de inovar dentro dessa arte que se aproxima muito do que diz Luis Humberto sobre a fotografia: “a poética do banal”.

Verônica é um exemplo. Um filme genericamente brasileiro, com caractéristicas da linguágem do cinema brasileiro contada a partir de uma ótima peculiar e uma narrativa praticamente transversal. Apesar de a abordagem do filme uma das mais utilizadas nos últimos 20 anos do cinema nacional, o problema social do Rio de Janeiro, o longa inova no que diz respeito ao uso da linguágem audiovisual. A começar pela escolha da fotografia e da direção de arte, tudo é fantásticamente colocado, um verdadeiro Noir legitimamente brasileiro. A escolha da iluminação e das cores é um dos pontos forte do filme, na verdade, o que acontece é uma linearidade da narrativa a partir delas. Maurício Farias abusa do contra-luz, das cores lavadas e saturadas para destacar os sentimentos das personagens.As imagens um pouco granuladas e a direção de arte acerca das favelas do rio deram à narrativa um clima adequado e pouco agressivo.


Os enquadramentos, metodicamente colocados, com objetos sempre colocados  no centro, dividindo as personagens, e demonstrando uma visão do diretor cheia de significados. De um lado Verônica, adulta, professora, separada, moradora do suburbio carioca. Do outro lado Leando, uma criança problemática, que vive em certo conforto em um aglomerado urbano até ter sua família morta e ser jurado de morte. A escolha de enquadramentos parece levar a câmera a ser mais uma personagem na narrativa, como um observador bem próximo. Praticamente dando olhos intimistas ao espectador.

Recheado de cortes cecos e bem ritimados e uma trilha sonora que combina muito bem a adequação ao tema e o risco, a batida rápda e muito alta ora tira ora coloca, ora tira de Verônica seu caráter dramático. dO fato é que
Verônica têm, já em sua primeira cena, um  realismo muito parecido com o utilizado por Fernando Meireles em sua linguágem. Um diálogo simples e direto, que nem aparenta pertencer a um roteiro cinematográfico, abre para o espectador o universo bucólico de Verônica. Nesta cena percebe-se, então, que as três personagens iniciais são apenas fatores detonadores do caos a ser instaurado.

Luana Borges

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Rendição aos Bastardos de Tarantino

Resolvi, depois de muito tempo, fazer algo que sempre tive vontade. Escrever sobre cinema. Considero que seja mais difícil que qualquer outra coisa. Principalmente porque sou fã incondicional da sétima arte e tenho um medo incompreensível de escrever sobre isso e desonrrar uma das minhas maiores paixões.

Uma coisa que posso falar sobre o filme Bastardos Inglórios é que me rendi à genialidade de Tarantino. Sim, quer você queira quer não Tarantino é um gênio da arte tosca. Não, Tarantino não é Cult como muitos alegam, ora, nenhum diretor que faz da segunda guerra mundial um filme de humor negro pode ser Cult. O sangue jorra da tela do cinema. E essa até poderia ser uma situação literal se o filme fosse em 3D por exemplo e isso, literalmente, não pode ser Cult, esqueça essa idéia.

Em suma, Bastardos Inglórios é o que podemos chamar de irônico e não existe uma outra palavra que o represente. Tarantino deu aos nazistas um tratamento dignamente nazista em um formato semelhante à Top Gung – Ases muito loucos. Que mereceria, talvez, uma história em quadrinhos.

Assim como  Kill Bill, Bastardos Inglórios é dividido em capítulos. O primeiro é digno de óscar. Em uma paisagem belíssima estão representados, mais que duas personagens, estão representados dois sentimentos emuma força dialógica incompreendida pela natureza. De um lado Christoph Waltz encarna uma personagem antológica, um sargento nazista “caçador de judeus”. Do outro lado da força está a personagem do fazendeiro Msr LaPadite, um ator que eu não me lembro de ter visto em outro filme, representando a averssão à carnificina instaurada pelos soldados alemães. Essa personagem representa, talvez, a repugnância e a aversão à 2ª Gerra comumente vividas na contemporaneidade.  E como não poderia deixar de ser, o diálogo principal é muitissímo bem trabalhado, alem de bizarro, com direito à estranha mudança de idioma da metade para o final.

Em um segundo momento, finalmente são apresentados ao público os Bastardos, liderados pelo sargendo Aldo – o Apache (Brad Pitt, arrazante como sempre. Imagine-o gordo, com sotaque sulista e impiedoso). A trupe é enviada à França (local onde o filme é ambientado) com a missão de aterrorizar o exército alemão. Como qualquer descrição deste capítulo que eu acrescentar aqui pode ser injusta, fica a dica, vejam o filme.

Daqui para o final o filme fica incrivelmente fantástico, uma narrativa intensa e diálogos fantasticamente bem colocados, outra coisa a se admirar no filme é a fotografia, fantasticamente colorida e muitíssimo bem montada. O movimento de câmera é um dos melhores que eu já vi, semelhante ao que observamos em  O Labirinto do Fauno de Guillermo del Toro. A trilha sonora, aparentemente desconectada mas muito bem encaixada na narrativa valorizam os diálogos perfeitos e os silêncios marcantes. Na verdade Bastardos Inglórios é uma obra prima do cinema e a obra prima de Tarantino, como ele mesmo fala na boca de Aldo – o Apache ao final do filme. Para um longa sobre a segunda guerra, produzido pela indústria cinematográfica norte americana em que os alemães falam alemão, os franceses falam francês e os estadunidenses falam inglês, esta é a única expressão que cabe ao  filme: OBRA PRIMA.