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Quebra cabeça

De tudo que quero…
Faço
Sem pensar
nem pestanejar.
Depois o que fica,
são apenas lembranças
(sórdidas e lascivas)
do que foi,
do que quis,
do que fiz.
De quem era,
nada sobra.
Me transformo apenas
e a cada dia
no que sou!

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Profano

Gozei em teus peitos
E você não disse.

Então pensei que no fundo
Era moça complacente e,
de longe, respeitável

Pensei que fostes alheia
Que nada sentira

Pensei que do prazer vivesse
E nele te fizestes forte

Ignorei-te
Por completo

Moça assim não ama

Ignorei sentimentos
Olhei-te
Apenas uma pedra vi
Uma estátua de prazer
De lembranças sórdidas

Considerando-te louca

Te joguei na sargeta
E tu dissestes:
– Dama na mesa e puta na cama,
a perfeição que não existe.

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A caixa de Pandora (Parte II)

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Pandora trazia dentro de si uma angústia incontrolável e remoia,  dia após dia, aquele antagonismo que assombrava seu ser.

– Como poderia ser tão perfeito e, concomitantemente, trazer dentro de si um nome como aquele?

Sobretudo, era Pandora o antagonismo em forma humana. Carregava em sua essência a dualidade, a dicotomia – ela sentia a  coexistência do bem e do mal dentro de sua alma, brigando por seu coração.

Era tão linda, tinha a pele alva, levemente rosada nas bochechas e livre de cravos – contrariando o súbito ímpeto dos hormônios, próprios de sua idade. Seu sorriso perfeitamente branco emoldurado por sua boca carnuda muito bem moldada pela natureza.  Seu nariz era como um adorno em seu rosto, pequeno e arrebitado. Os olhos eram cor-de-me, tinham um formato levemente puxados, os cílios eram longos e as sobrancelhas davam vida àquele olhar macio e profundo. Seus cabelos eram longos, muito escuros e brilhantes, seu pai a chamava “Vento no Cabelo”. Pandora era o charme compilado. Tinha em si um carisma irrefutável e impossível de se resistir.

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A matemática é legal, mas, eu não sei contar

É por não conseguir te falar.
Me desculpe,
Eu não consigo dizer.

Por favor, não.
Termine de novo!!!

Eu não consigo falar,
Eu não consigo falar.
Me calo e não conto.

Por favor,
Eu não consigo contar.

Um…………. dois…………………. três
Nenhuma emoção há em minha voz

Por favor me ajude,
Eu não consigo contar.

Me ajude a contar,
Eu preciso contar.

Antes que morra,
S-U-F-O-C-A-D-A

Com essa conta
Um..dois…três

Sonho anoite,
Com essa conta.
Mas, eu não posso contar

Conto
Conto
Conto

A matemática é legal
Mas eu,
Eu não sei contar.

Eu não consigo
Contar

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Saudade

Saudade do estado
Do ósculo
Do amparo
De desamparos

Tempo

Passa tempo
Dor não passa
Fica a saudade

Sem saúde
Meu estômago
Já era
Meu fígado

Já era

Álcool
Desgosto
Isquete
Biscate

Essa queixa
Uma gueixa
Uma ladeira
De saudades

Da idade
De escutas
De usuaras
De amizades

Passa tempo
De andares
De dizeres
De milagres

Amores
Cegueira
Bagunça
Maldades

Saudade do nada
De tudo
Do que foi
Do que é

0

Não sei de mais nada

O mundo dá tantas voltas
Tantas que eu nem consigo mais contar

Um dia vai ficar tudo bem
Já está tudo bem
Só que as coisas não estão no lugar

O mundo gira, gira
E eu não sei a minha sorte
Sei que tenho sorte
Que estou com sorte

Sei que tenho vida pra viver
Sei que o mundo gira
Sei que o mundo gira
E que barco vira

E que eu…
Estarei bem aqui
Pra rir de tudo isso
Pra rir de mim
Pra rir